Wednesday, September 07, 2005


Bahia terá usina de produção industrial de biodiesel

A Bahia está consolidando sua aptidão natural de ser um pólo produtor de biodiesel. Com o protocolo de intenções, assinado neste mês de setembro, entre o Governo do Estado, a Petrobras, o Banco do Nordeste (BNB) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), serão iniciados estudos de viabilidade técnica para a implantação de uma unidade de produção do biocombustível em conjunto com um programa de agronegócio da cultura de oleaginosas no estado. A unidade deverá ser instalada na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e produzirá inicialmente cerca de 40 milhões de litros de biodiesel por ano. O protocolo assinado é o segundo que prevê a instalação de uma unidade industrial de produção de biodiesel na Bahia. O primeiro foi firmado com a francesa Dagris, que produzirá inicialmente 13 milhões de litros do combustível por ano, principalmente a partir do algodão, com um investimento de R$ 160 milhões. A unidade da Petrobras ainda não possui valor estimado, mas segundo José Carlos Miragaya, gerente de Energias Renováveis da multinacional, deverá aproveitar toda a oferta de oleaginosas do estado como mamona, dendê, algodão, soja e pinhão manso.

Para o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, “um dos problemas do biodiesel hoje é a possibilidade de produção continua”. Gabrielli explica que a atual produção do biodiesel no Brasil é realizada sem uma especificação única e que esta variação na composição do biocombustível é uma questão ainda a ser resolvida. “Esse é um problema tecnológico: ter o biodiesel com a especificação adequada de forma que ele se mistura com o diesel de forma tranqüila”, disse. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Rafael Lucchesi, explica que “hoje existem tecnologias prontas para a indústria de fluxo continuo e com rápida adaptação se aprenderá aqui, até por conta de nossa competência industrial”. Para Lucchesi, o principal fator para alavancar a produção em larga escala do biodiesel está na indução de políticas púbicas. “A política pública do Governo Federal ainda é tímida. Temos que garantir instrumentos mais fortes para assegurar de forma definitiva a expansão de uma produção energética da biomassa no país, e também fazer uma opção clara de inclusão da fronteira agrícola de áreas menos dinâmicas economicamente, o que colocaria o desafio sobre tudo para o semi-árido nordestino”, explica.

O avanço das ações interinstitucionais para criar no Brasil uma indústria do biodiesel se deve a vários fatores. A adição inicial de 2% do biodiesel ao diesel de origem fóssil nos postos de combustíveis significará para o país uma economia anual de US$ 160 milhões com a importação de petróleo. Além disso, o Brasil possui ampla área para o cultivo de oleaginosas principalmente na região do semi-árido, o que pode favorecer agricultores familiares no fornecimento de matéria prima para o biocombustível. Outro motivo para o grande interesse é o fato deste combustível possuir mercado em expansão em países preocupados com os níveis de poluição como a Alemanha e França, já que o biocombustível contribui para a diminuição da poluição nos grandes centros urbanos, mesmo misturado em pequena proporção, garantindo a redução da emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI)