Wednesday, November 09, 2005


I Encontro Baiano contra o Racismo Ambiental será realizado em Salvador



Nos dias 25 e 26 de novembro acontecerá o I Encontro Baiano contra o Racismo Ambiental no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), localizado na Praça da Piedade. Será discutido um novo tema chamado “Racismo Ambiental”, que segundo Arivaldo Santos, membro do Núcleo de Estudantes Negros da UFBA, “se configura quando agentes públicos e/ou privados, mediante ação ou omissão, voluntária ou involuntariamente causam danos e afetam o meio ambiente e a qualidade de vida de grupos orientando-se em critérios de raça, classe, gênero e origem nacional”.
O evento é uma realização do Programa Direito e Relações Sociais (PDRR), Afro Gabinete de Articulação Institucional e Jurídica (AGANJU), associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (ACBANTU) e pelo Núcleo de Estudantes Negros da UFBA. As inscrições custam R$10, mas uma porcentagem das vagas será disponibilizada para bolsistas. Para maiores informações mandar e-mail para
afrogabinete@gmail.com ou ligar para o número 3321-8052.

Por Mariana Alcântara.

Monday, November 07, 2005

Ressurgimento de foco de incêndio na Chapada preocupa os bombeiros
Sem sinal de chuva e com a manutenção das altas temperaturas, os focos de incêndio que surgiram no Parque Nacional da Chapada Diamantina nos últimos dias continuam dando trabalho. Até o final da tarde de ontem, o fogo que consumia o Morro do Gavião (Ibicoara) e a Serra do Macho Bomba (Mucugê) ainda não havia sido debelado. Com monitoramento contínuo nos sete pontos onde o incêndio havia sido extinto, o 11o GBM do Corpo de Bombeiros identificou o ressurgimento das chamas na margem do Rio Paraguaçu, próximo à cidade de Andaraí. A expectativa do comandante do grupamento, Elias Sá, era de que o combate imediato pudesse impedir o foco de voltar a se alastrar. Segundo Sá, o problema é recorrente nessa época do ano por conta da conjugação entre o clima quente e o hábito, cultivado por muitos agricultores, de preparar a terra através de queimadas. As labaredas do Morro do Gavião têm desafiado a ação dos bombeiros por conta da localização. "É difícil até para o helicóptero tomar posição", explica o comandante, que dispõe de 55 homens de prontidão para impedir danos maiores. Muitos também estão trabalhando nas atividades de rescaldo (resfriamento) exatamente para impedir que o fogo extinto volte a surgir. As equipes do 6o GBM, em Porto Seguro, têm direcionado o trabalho para evitar que as chamas reacendam. "O tempo nublado tem ajudado no combate e agora estão fazendo apenas monitoramento e rescaldo", informou a chefe do Parque Nacional do Monte Pascoal, Milene Maia. Entre a área do parque e a de uma reserva indígena vizinha, cinco focos foram debelados nos últimos dias. A extensão dos danos ainda está sendo estudada. Milene, no entanto, acredita que se não chover a situação se tornará crítica. No Parque do Descobrimento, maior reserva de mata atlântica do estado, o acompanhamento ininterrupto também está sendo mantido.
Fonte: Secrteraia de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (SEMARH)


Novas práticas produtivas são propostas para a conservação da biodiversidade

A ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou no encerramento da reunião "Empresas e o Desafio da Biodiversidade de 2010", hoje, em São Paulo, que é preciso pensar uma nova forma de consumo, em que produtores e consumidores alimentem a proteção dos nossos recursos naturais. Na ocasião, foram apresentados os resultados do encontro que reuniu empresários nacionais e internacionais para buscar formas de intensificar o comprometimento do setor empresarial com o tema. Dentre outras decisões, os empresários determinaram algumas recomendações para o setor como: inserção da atitude de boas práticas nas pequenas, médias e grandes empresas; incentivo para certificações e rotulagem que contribuam para a conservação da biodiversidade; criação de mecanismos de controle e de confiança para o acesso e repartição de benefícios oriundos dos recursos genéticos; além da valorização do setor financeiro das ações das empresas envolvidas na preservação da biodiversidade. O evento é uma iniciativa preparatória para a 8ª Conferência das Partes (COP-8) da Convenção sobre Diversidade (CDB) que acontece em março do próximo ano, em Curitiba, com a presença de representantes de quase 200 países. Membro da CDB, David Cooper lembrou que o Secretário da Convenção, Hamdallah Zedan, esteve em Curitiba em setembro último e ficou impressionado com a qualidade das instalações que estão sendo preparadas. O Secretário de Biodiversidade e Florestas, João Paulo Capobianco, destacou o esforço do governo na construção de uma agenda que atraia o setor privado na implementação das decisões da COP-8. "Estamos pensado em alternativas que gerem emprego e renda de forma sustentável e rentável, em alternativa às práticas degradatórias", disse. A presença do setor privado na próxima COP também foi incentivada pelo presidente Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Fernando Almeida. "Sem isso não há solução. O setor financeiro também está interessado e tudo indica que a participação da iniciativa privada vai crescer nas próximas COPs." Os objetivos principais da COP - conservação da biodiversidade; seu uso sustentável; e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios resultantes do acesso aos recursos genéticos, convergem com o trabalho do Ministério do Meio Ambiente que busca o apoio de todos os setores para a sua implementação. "Nenhum esforço isolado terá sucesso. Temos que unir os diversos segmentos da sociedade para discutir e implementar os acordos assinados. Uma nova visão civilizatória é o nosso desafio", ratificou a ministra Marina Silva.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente



Uma cortina econômica
Filme plástico desenvolvido em incubadora da Unicamp bloqueia raios solares e reduz consumo de energia
Uma cortina capaz de bloquear em 94% a passagem da radiação solar incidente sobre um edifício totalmente envidraçado mostrou ser possível reduzir os gastos com energia elétrica dos aparelhos de ar-condicionado em até 60% no verão. Essa avaliação é resultado de testes de simulação realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com o novo produto desenvolvido pela VacuoFlex, empresa instalada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A inovação da empresa foi aplicar um filme plástico metalizado sobre uma cortina, fabricada a partir de lona plástica ou tecido. “O custo de aplicação industrial do nosso produto nas cortinas é pago pela economia obtida em três meses de verão”, diz o engenheiro civil Antônio Sérgio Assunção Tavares, sócio e diretor da empresa. Para produzir o filme metalizado, foi utilizada a tecnologia RCF (Filmes de Controle de Energia Radiante, do inglês Radiant Energy Control Films), desenvolvida na década de 1960 pela Nasa, a agência espacial norte-americana, para o controle térmico de satélites e das roupas dos astronautas. Baseada no uso de filmes plásticos com deposição de alumínio para refletir o calor incidente e impedir sua emissão no ambiente, a tecnologia, depois de guardada a sete chaves por duas décadas, tornou-se de domínio público no início dos anos 1990. A simples deposição do alumínio não confere durabilidade para produtos destinados a usos terrestres, expostos à umidade e abrasão. Para garantir que sejam duráveis, é necessário fazer a deposição a vácuo utilizando o processo de pulverização catódica (sputtering) – um método físico de metalização que usa o gás argônio ionizado –, empregado na Europa e nos Estados Unidos em alguns produtos rígidos, como espelhos retrovisores de automóveis e lentes de óculos com propriedades anti-reflexo e antiembaçante. Aqui no Brasil seu uso ainda está restrito aos laboratórios de pesquisa. E foi do Laboratório de Filmes Finos do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Unicamp, que surgiu a solução tecnológica para a fabricação dos filmes plásticos flexíveis com propriedades de reflexão e emissão de radiações, que, de acordo com a aplicação, podem ser tanto metalizados, e portanto opacos, como transparentes. Desde 1979, quando entrou na Unicamp para fazer iniciação científica, o físico e sócio da VacuoFlex, Carlos Salles Lambert, estuda a tecnologia de deposição em alto vácuo por pulverização catódica, que é a técnica de produção do filme plástico metalizado. Esse estudo foi essencial para transformar a idéia inicial de Tavares de produzir uma cortina que bloqueasse a radiação solar em um produto com várias aplicações.
Fonte: Revista Fapesp

Wednesday, September 21, 2005


Tecnologia de asfalto-borracha está sendo desenvolvida na Bahia

Cientistas baianos estudam métodos de desenvolvimento de um material chamado asfalto-borracha, que apresenta características superiores ao asfalto convencional. Os objetivos das pesquisas são avaliar as propriedades do asfalto-borracha desenvolvido em laboratório e contribuir para a aplicação desta tecnologia de utilização da borracha de pneus em misturas asfálticas para produzir pavimentos mais duráveis, além de minimizar o problema da disposição de pneus velhos em locais inadequados. O aproveitamento de pneus inutilizados em obras de engenharia está se tornando uma boa alternativa, desde que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), através da resolução nº258/99, obrigou os produtores e importadores de pneus a coletá-los e colocá-los em locais ambientalmente adequados. Além disso, ficou estabelecido que a partir de 2005, para cada quatro pneus produzidos, cinco deverão ser reciclados, como uma forma de reduzir o passivo ambiental.
De acordo com resultados da pesquisa rodoviária de 2004 da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que avalia a situação das estradas brasileiras, 80% das rodovias em piores condições de tráfego, estão localizadas no Nordeste brasileiro. Ainda de acordo com a pesquisa, 52,2% da extensão das estradas (o que corresponde a 23.667 km) encontra-se com pavimentos em estado deficiente, ruim ou péssimo. Qualquer pessoa que viaje de carro pelas rodovias baianas deve ter passado por situações de risco devido aos buracos, trincas ou até falta de pavimentação em alguns trechos. Na Bahia, há trechos que estão em estado de deterioração tão grave, que os ônibus e caminhões têm que trafegar a 10 km/h, o que facilita a ação de quadrilhas especializadas em roubo de carga. A pesquisa da CNT afirma que, dos 430.655,6 km de estradas federais nordestinas, apenas 41.763 km são pavimentados. A falta de um programa de conservação das estradas e o asfalto de má qualidade que foi aplicado na maioria das estradas são as principais causas de degradação das rodovias em todo país. A incorporação de borracha na liga asfáltica é a menina dos olhos de ecologistas e engenheiros empenhados em dar um destino útil às montanhas de pneus velhos armazenados em locais inadequados. Segundo a Associação de Indústria dos Pneumáticos (ANIP), no Brasil são colocados no mercado aproximadamente 61 milhões de pneus por ano, sendo que pelo menos 50% dos pneus produzidos anualmente estão sendo descartados e dispostos em locais impróprios. O Laboratório de Pavimentação (LABPAV), da Universidade Salvador (UNIFACS), é um dos pioneiros no Brasil, juntamente com a Petrobrás e universidades a desenvolver estudos na área de pavimentação e incorporação de borracha moída de pneus em misturas asfálticas. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) são alguns dos centros de pesquisas que já desenvolveram esta tecnologia no Brasil. “As pesquisas têm o objetivo de desenvolver novas tecnologias e novos produtos a serem empregados na cadeia produtiva do asfalto nas regiões Norte e Nordeste”, afirma Sandra Oda, doutora em Infra-estrutura e Transportes e coordenadora de projetos do Departamento de Engenharia e Arquitetura (DEAR), da UNIFACS. Ainda segundo a professora, “o resultado das pesquisas possibilitará a formação de uma competência local capaz de propor soluções aos problemas particulares destas regiões”.

Processo de fabricação

O processo de fabricação, resumidamente, consiste na mistura de cimento asfáltico e borracha moída a uma temperatura que vai de 150 a 200ºC, durante um determinado tempo (20 a 120 min). Essa mistura é classificada como uma reação e forma um composto chamado asfalto-borracha (asfalt-rubber), com propriedades de melhor desempenho que as do asfalto convencional. “O resultado é um produto que tem uma maior flexibilidade, apresenta maior resistência às deformações e trincas, reduz o ruído, possui uma drenagem melhor, maior resistência às variações de temperatura, além de reduzir os custos com atividades de manutenção e reabilitação”, afirma Oda. Como resultado prático da pesquisa, em dezembro de 2004, um trecho da Avenida General Graça Lessa, no Ogunjá, bairro situado na cidade de Salvador, foi pavimentado com o asfalto-borracha desenvolvido no Laboratório de Pavimentação (LABPAV). O empreendimento contou com o auxílio de bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa na Bahia (FAPESB), que através de programas como PRODOC, Infra-estrutura, Apoio Regular à Pesquisa e apoio à realização de reunião científica fomenta cinco dos seis projetos em execução no LABPAV. “O fomento em pesquisas é muito importante para a execução de idéias engavetadas, que quando se encontram em condições favoráveis, faz com que a nossa capacidade inovadora de nós, estudantes, cresça cada vez mais”, argumentou Joad Teixeira, bolsista da FAPESB no LABPAV.

História

A primeira aplicação de asfalto-borracha foi realizada numa rua da cidade de Phoenix, nos Estados Unidos. A população, em geral, não imaginaria que o invento de Charles H. McDonald, em 1963, seria uma das melhores soluções para as montanhas de pneus dispostos inadequadamente em aterros, rios e ao longo das estradas. De 1963 até o início da década de 90, cerca de 16 mil quilômetros de rodovias já foram pavimentadas com asfalto-borracha nos Estados Unidos. Esse número deve-se à Lei sobre a Eficiência de Transporte Intermodal de Superfície, de 1991, que obriga os Departamentos de Transportes Estaduais (DOTs) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA) a desenvolver, em conjunto, estudos para utilizar pneus na construção de pavimentos asfálticos. Dados do Departamento de Infra-estrutura de Transportes da Bahia (DERBA) afirmam que o desgaste das Rodovias Estaduais tem se acelerado de forma vertiginosa ao longo dos últimos anos, contribuindo para o aumento do custo de manutenção e o conseqüente custo operacional dos veículos que ali trafegam. Ao comparar o incentivo à pesquisa na área de pavimentos asfálticos de países desenvolvidos com o Brasil, a professora Sandra Oda afirma que os investimentos no campo são poucos, principalmente na Bahia. “Se a Bahia tem as piores estradas, é por falta de pesquisa”, constata Oda. Apesar das inúmeras vantagens do asfalto-borracha, ainda não existe um interesse direto da prefeitura local e do Estado em utilizar essa tecnologia em nível industrial nas pavimentações das ruas e estradas. “O que se vê são organismos rodoviários e prefeituras realizando atividades de manutenção e reabilitação de pavimentos à margem das recomendações técnicas”, relata Oda. “Aqui em Salvador, a Prefeitura está pavimentando avenidas com material de baixa qualidade. A população apelidou o asfalto de ‘sonrisal’, por ele se desfazer com as chuvas”. Ela afirma que essa situação é ainda mais agravada quando se trata da pavimentação da periferia. Diante de todas as dificuldades, os estudantes de engenharia, que hoje são pesquisadores-bolsistas, acreditam que num futuro próximo, haverá uma maior conscientização das equipes que compõem os quadros de secretarias ligadas às pavimentações asfálticas. “Acredito que as pessoas ligadas a esse setor, que fazem parte de organismos públicos e privados, estarão mais abertas a investir em parcerias com universidades e centros de pesquisa”, afirma Erick Sampaio, estudante da UNIFACS. “Estamos fazendo a nossa parte que é a de buscar soluções”, complementa.

Repórter: Mariana Alcântara

Monday, September 12, 2005


Terapia segura
No Brasil, apenas para o caso de cardiopatias, já são mais de cem pessoas que receberam doses de células-tronco de suas próprias medulas. Se a preocupação com a segurança fica um pouco reduzida, por causa da origem do material, a eficiência do método ainda é uma resposta parcialmente obtida.

“O sucesso, nos casos analisados até agora, é alto. Entretanto, um novo estudo vai começar em breve para que possamos definir esse método como sendo realmente factível”, disse Ricardo Ribeiro dos Santos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da Bahia, à Agência FAPESP. O cientista é responsável pelos estudos com células-tronco da medula para tratamento da doença de Chagas.

Um grupo de 300 pessoas que desenvolveram a doença chagásica já está definido para essa nova etapa da pesquisa científica. Desse total, 150 serão sorteados para receber o tratamento convencional, por meio de medicamentos. Os demais vão receber as células-tronco.
No Brasil, sob responsabilidade da equipe de Santos, 35 pacientes foram tratados pela metodologia nos últimos anos. Na maior parte dos casos, o quadro geral dos doentes melhorou. “Todos saíram da fila de transplante”, diz o pesquisador. Além de o coração diminuir um pouco de tamanho, uma vez que a doença de Chagas causa um inchaço do órgão, novos vasos e fibras também foram detectados. “Ainda não sabemos ao certo qual é o mecanismo usado pelas células-tronco”, conta Santos.

Em outros centros do Brasil a mesma metodologia vem sendo usada, além do mal de Chagas, para outros problemas do coração. O maior número de injeções de células-tronco ocorreu com pacientes com infarto agudo do miocárdio. “Até agora foram tratados 40 pacientes com a técnica”, diz Santos. Pessoas com infarto agudo e cardiopatias dilatadoras, além da chagásica, também já receberam suas próprias células-tronco embrionárias adultas.
“Casos de acidente vascular cerebral também já estão sendo tratados da mesma forma. Temos dez pacientes sendo acompanhados”, explica. Mas a injeção de novas células, nesse caso, precisa ser feita na fase aguda, logo depois do acidente. O novo material genético é manipulado por meio de um catéter.

Apesar do sucesso com as técnicas de células adultas, Santos acredita que o futuro desse método está na manipulação das células embrionárias de cordão umbilical. “Elas são altamentes disponíveis. E podem ser retiradas inclusive da própria placenta. A partir desse material pode ser gerada uma série de células que vão servir para muitas pessoas”, disse.

Fonte: Agência FAPESP

Wednesday, September 07, 2005


Bahia terá usina de produção industrial de biodiesel

A Bahia está consolidando sua aptidão natural de ser um pólo produtor de biodiesel. Com o protocolo de intenções, assinado neste mês de setembro, entre o Governo do Estado, a Petrobras, o Banco do Nordeste (BNB) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), serão iniciados estudos de viabilidade técnica para a implantação de uma unidade de produção do biocombustível em conjunto com um programa de agronegócio da cultura de oleaginosas no estado. A unidade deverá ser instalada na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e produzirá inicialmente cerca de 40 milhões de litros de biodiesel por ano. O protocolo assinado é o segundo que prevê a instalação de uma unidade industrial de produção de biodiesel na Bahia. O primeiro foi firmado com a francesa Dagris, que produzirá inicialmente 13 milhões de litros do combustível por ano, principalmente a partir do algodão, com um investimento de R$ 160 milhões. A unidade da Petrobras ainda não possui valor estimado, mas segundo José Carlos Miragaya, gerente de Energias Renováveis da multinacional, deverá aproveitar toda a oferta de oleaginosas do estado como mamona, dendê, algodão, soja e pinhão manso.

Para o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, “um dos problemas do biodiesel hoje é a possibilidade de produção continua”. Gabrielli explica que a atual produção do biodiesel no Brasil é realizada sem uma especificação única e que esta variação na composição do biocombustível é uma questão ainda a ser resolvida. “Esse é um problema tecnológico: ter o biodiesel com a especificação adequada de forma que ele se mistura com o diesel de forma tranqüila”, disse. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Rafael Lucchesi, explica que “hoje existem tecnologias prontas para a indústria de fluxo continuo e com rápida adaptação se aprenderá aqui, até por conta de nossa competência industrial”. Para Lucchesi, o principal fator para alavancar a produção em larga escala do biodiesel está na indução de políticas púbicas. “A política pública do Governo Federal ainda é tímida. Temos que garantir instrumentos mais fortes para assegurar de forma definitiva a expansão de uma produção energética da biomassa no país, e também fazer uma opção clara de inclusão da fronteira agrícola de áreas menos dinâmicas economicamente, o que colocaria o desafio sobre tudo para o semi-árido nordestino”, explica.

O avanço das ações interinstitucionais para criar no Brasil uma indústria do biodiesel se deve a vários fatores. A adição inicial de 2% do biodiesel ao diesel de origem fóssil nos postos de combustíveis significará para o país uma economia anual de US$ 160 milhões com a importação de petróleo. Além disso, o Brasil possui ampla área para o cultivo de oleaginosas principalmente na região do semi-árido, o que pode favorecer agricultores familiares no fornecimento de matéria prima para o biocombustível. Outro motivo para o grande interesse é o fato deste combustível possuir mercado em expansão em países preocupados com os níveis de poluição como a Alemanha e França, já que o biocombustível contribui para a diminuição da poluição nos grandes centros urbanos, mesmo misturado em pequena proporção, garantindo a redução da emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI)